conforto

 ecoproductos para diferentes tipos de CONFORTO no interior dos edifícios

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O que são os edifícios senão barreiras à chuva, ao vento e, às vezes, à luz e/ou ao calor?

O que serão os edifícios senão abrigos, barreiras à chuva, ao vento e por vezes filtros de luz e de calor? Inúmeras são as variáveis que os influenciam, que os alteram durante o dia e a noite, no calor e no frio, no vento, na chuva e no sol, convertem-se em refúgios de artificiais condições, como ilhas de tranquilidade num mundo incómodo.

Mas, se a arquitetura é clima, também é verdade que muitos são os climas que nela intervém: climas de Inverno e de Verão, climas de luz e calor, climas de transição entre o interior e o exterior, climas que definem a Arquitetura Popular e outros a Arquitetura Moderna, climas naturais e climas artificiais e por ultimo, inclusivamente, estão os climas que não são propriamente climas: os sonoros, os psicológicos, os “mágicos” que se geram na variedade de espaços criados pela Arquitetura.

Estudar a situação de conforto nos edifícios é uma árdua tarefa devido à complexidade dos ditos climas. Na realidade devemos entender o clima ou os climas da Arquitetura num sentido mais vasto, incluindo todos os fenómenos ambientais que acuam sobre os ocupantes dos edifícios, influenciando o seu bem estar e a sua percepção de conforto, seja ele térmico, visual, acústico, ou outro.

Falando no sentido mais convencional do conforto térmico, os climas sobre a superfície do nosso planeta também são muito variados, quentes e frios, secos e húmidos. Alteram-se segundo a época do ano, com a variação da altura do sol e o regime do vento.

Devemos entender o clima ou os climas nos edifícios, considerando todos os fenómenos ambientais que atuam sobre os seus ocupantes, influenciando o seu bem estar e a sua percepção de conforto, seja ele térmico, visual, acústico, ou outro.

Regiões quentes e secas: as temperaturas são muito altas durante o dia, baixando significativamente durante a noite. Existe uma intensa radiação solar e a escassa precipitação e nebulosidade deixando que predomine a radiação solar direta. Este clima é característico nas zonas do Equador e a arquitetura popular, de forma a responder às necessidades do clima térmico, é compacta com poucas aberturas para o exterior, muitas das vezes caracterizada por paredes espessas ou subterrâneas, para obter a máxima inércia térmica de forma a enfrentar às amplitudes térmicas no exterior. Estes edifícios recorrem muitas vezes a pátios interiores com o intuito de gerar uma zona protegida do sol, humedecida e refrescada pela presença da água, a qual fazem lá passar, permitindo reconciliar a arquitetura com o exterior.

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Figura 1. Arquitectura característica de zonas calidas e secas

Nas zonas quentes e húmidas as temperaturas, embora altas, são mais moderadas e mais constantes que nos climas quentes e secos. As nuvens e a chuva são frequentes, sobretudo durante uma parte considerável do ano, pelo que a radiação se torna muito mais difusa do que no caso anterior, além de que a humidade é constantemente alta. A arquitetura popular é caracterizada por uma arquitetura leve, muito ventilada, protegida em todas as direções da radiação solar e sem qualquer inércia térmica associada ao tipo de construção. Os edifícios são compridos e largos e normalmente elevados de forma a proporcionaram entre o solo e a habitação a circulação de ar.

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Figura 2. Arquitectura característica de zonas cálidas e húmedas

Nas regiões frias as temperaturas são baixas durante todo ano, especialmente na época de Inverno. Existe pouca radiação solar e a precipitação é frequentemente sólida. Nestas condições a humidade não se verifica. Este clima é próprio em regiões de elevada latitude, próximo de zonas polares. A arquitetura destas regiões tem como principal objectivo a conservação do calor no seu interior. Por isso, os edifícios são compactos, com pequenas aberturas, traduzindo-se quase sempre numa só superfície arredondada de forma a minimizar a ação dos ventos frios. De certo modo, esta arquitetura assemelha-se à dos climas quentes e secos, tendo como principal característica ser capaz de responder da melhor forma às condições térmicas do ambiente exterior.

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Figura 3. Arquitectura característica de zonas frias

Outro tipo climático a considerar é o Clima Temperado, característico do nosso País, onde se apresentam, ao longo do ano, varias alterações das condições climáticas. É nestes climas onde a Arquitetura se torna mais complexa, tendo que se adaptar, nem que seja por curtos períodos de tempo, a todo o espectro dos tipos básicos de clima que foram atrás descritos. Assim o grande problema destes climas é precisamente a mutação que se dá em qualquer altura do ano ou mesmo do dia, podendo verificar-se situações contrárias: frio de Inverno, que pode ser seco e húmido e muito calor no Verão, que pode igualmente ser seco e húmido e quase tão intenso como nos climas extremos, e finalmente, o clima poder ser instável que, nas estações intermédias, pode gerar situações de muito frio e de muito calor separados por curtos espaços de tempo. O conjunto destas situações traduz-se numa arquitetura com um grau de complexidade maior, mais difícil do ponto de vista de desenho. Em todo caso, a Arquitetura popular do nosso país, sempre se viu obrigada a incorporar soluções e sistemas flexíveis, que possibilitem manuseamento em resposta à situação climática, como por exemplo: sistemas de sombreamento amovíveis, que podem impedir o excesso de radiação solar (tempo quente) o deixar a radiação penetrar por completo (estação fria); espaços intermédios entre o exterior e interior para gerar microclimas favoráveis; o tirar partido da inércia térmica das paredes exteriores para conservação da temperatura interior, etc.

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Figura 4. Arquitectura en zona templada

 

Assim, pode concluir-se que a partir do conhecimento e da caracterização do clima que influencia determinada região, é possível determinar as grandes linhas de orientação para um desenho arquitectónico mais conveniente a cada caso. Desta forma estaremos a ajudar o ambiente na medida em que preparamos os nossos edifícios para responder às necessidades climatéricas com o mínimo de recurso a sistemas de climatização complementares que a maioria das vezes funcionam à base de energia proveniente de fontes não renováveis.

Condições exteriores ao ambiente, influenciam cada um dos nós de forma diferente, fazendo com que cada um as sinta de forma igualmente diferente.

O que é o conforto?

O conforto sentido pelo ser humano num dado local, resulta de um conjunto de fenómenos. Este conjunto de fenómenos é, na realidade, bem mais complexo do que se pode imaginar. Se os parâmetros ambientais de conforto são características objectivas de um determinado espaço, que podem ser quantificados, a sensação de conforto de cada utilizador do espaço só a cada um diz respeito. Condições exteriores ao ambiente, influenciam cada um dos nós de forma diferente, fazendo com que cada um as sinta de forma igualmente diferente. Relacionam-se com factores físicos e biológicos (idade, sexo, genes, etc), sociológicos (atividade, educação, ambiente familiar, alimentação, etc) e psicológicos, próprios a cada um.

Os parâmetros ambientais de conforto, aqueles que se quantificam em termos energéticos, podem ser analisados com independência de cada utilizador.

O conforto oferecido por determinado ambiente depende desta forma, em cada caso, da combinação presente entre os parâmetros objectivos e os factores físicos, biológicos, sociológicos e psicológicos, que influenciam cada ser humano.

No quadro seguinte, a título ilustrativo, apresentam-se os três tipos de conforto mais comuns relacionando-os com as unidades de medida, símbolos representativos, conceito atribuído a cada tipo de conforto e a designação sentida.

TIPO CONCEITO SIMBOLO UNIDADE SENSAÇÃO
Visual iluminância

(nível)

E lux alto/baixo
iluminância

(contraste)

L alto/baixo
direcção

(efeito sombra)

difusa/dirigida
Acústico nível sonoro N db alto/baixo
frequencia (tom) f Hz agudo/grave
espectro (timbre)
direcionalidade difuso/dirigido
tempo de reverberação Tr s alto/baixo
Higrotérmico temperatura
do ar Ta
de radiação Tr
ºC
ºC
alto/baixo
alto/baixo
humidade relativa Hr % húmido/seco
movimento do ar v m/s forte/fraco
Composição do ar limpo/denso

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